Tecnologia serve à solução, não o contrário.
Solução é o resultado que o cliente pagaria para ter. Tecnologia é o meio. Uma semana de reunião contra três horas de trabalho.
Nesses quase dez anos de carreira, três deles como empresário, entendi uma coisa: o padrão se repete.
De um lado, programadores excelentes que se apegam ao código como se fosse crença. Do outro, profissionais de negócio igualmente bons, PO, Scrum Master, gerente, marketing, com a crença deles. Todos com o mesmo objetivo: provar que estão certos.
Isso sempre me incomodou, porque eu vi o efeito disso na esteira de produto por anos seguidos.
O telefone sem fio que custa caro
O cliente espera uma coisa. O analista descreve outra. O time técnico constrói uma terceira. E o marketing vende uma quarta.
No fim, quem paga a conta não é o cliente. Ele só vai embora, e não volta. Quem paga é a empresa.
Afinal, o que é solução?
A pergunta parece boba, e é ela que separa empresa de hobby caro.
Solução é o resultado que o cliente pagaria para ter. Tecnologia é o meio, nunca o fim.
Pense num dedo machucado. Você vai usar alguma coisa: um curativo, uma pomada, um remédio. O que importa é o dedo sarar, e não qual marca de curativo você comprou.
Em tecnologia é a mesma coisa. Se você escolhe a ferramenta antes de olhar para a dor, já perdeu o jogo.
Uma semana de reunião contra três horas de trabalho
Há alguns anos, um time passou uma semana discutindo se construía um painel novo para cruzar dados de alguns microsserviços. Arquitetura, tela, backlog, estimativa.
Eu propus outra coisa: uma exportação com gráfico e resumo. Levei menos de trinta minutos para decidir, o tech lead topou, e eu entreguei em menos de três horas.
Na época não existia IA para escrever código. O máximo que a IDE fazia era autocompletar o nome de uma classe ou sugerir o import de uma lib. O resto era eu e a documentação.
No dia seguinte apresentamos na call para o time de negócios. O head aprovou na hora. Pelo que sei, usam até hoje.
O painel era mais bonito. A exportação resolveu o problema na mesma semana.
O critério que eu uso
Nunca escolha tecnologia por crença, por ego, por comunidade ou por defesa de área. Escolha pelo que resolve melhor o problema do cliente.
As perguntas são três:
- O que o cliente de fato pagaria para resolver? Essa pergunta é a mesma que eu faço antes de escolher um nicho.
- Qual é o caminho mais curto até esse resultado?
- Como as áreas falam a mesma língua para chegar lá?
Aplico isso nas minhas empresas desde o dia zero. Se existe dor, pode existir uma tecnologia que resolva melhor. Mas nem sempre existe, e nem sempre precisa existir. Às vezes a solução é uma planilha, e está tudo bem.
A cultura que fica
Primeiro a solução. A tecnologia está ali para servir.
Se você inverter essa ordem, vai construir algo impecável por dentro e sem ninguém do lado de fora.