Vão copiar o seu app. E isso é a coisa mais normal do mundo

Copiaram o layout do meu app numa sexta à noite. Não respondi, não discuti, não postei nada. Documentei tudo e, no sábado, falei com quem resolve.

Ser copiado é normal. Acontece com todo mundo que é bom, ainda mais no Bananil, digo, Brasil.

Quando acontecer com você, faz o seguinte: toma um copo d'água, respira e dá uma boa risada. Porque a única coisa que a cópia prova é que você acertou. Acertou o nicho, acertou o produto, acertou a dor.

Ninguém copia o que não está funcionando.

A sexta-feira

Dez da noite de uma sexta. Semana embaçada, daquelas em que você já sabe que o fim de semana também não vai existir, porque empreender é viver no 220 sem parar.

Sentei no sofá para respirar um pouco. Abri o Instagram só para desligar a cabeça.

E aí veio um anúncio com exatamente o mesmo layout do meu aplicativo.

Não era parecido. Era a minha tela, com outro nome em cima. E não foi qualquer um: foi um zé ruela, um influencer que eu não vou citar para não dar palco, desses que tentam hypar qualquer nicho que esteja em alta.

Você acha que eu fiquei puto?

O que eu não fiz

Não respondi. Não mandei DM. Não postei print, não fiz repost, não escrevi uma linha em lugar nenhum.

Barulho é o campo dele. Não é o meu.

Tudo o que eu construí até hoje foi construído com calma. De onde eu venho, a gente chama isso de na maciota, na manha do gato, sem pressa, irmão.

O melhor centro de controle que existe é a própria cabeça. Quem discute em público entrega esse controle para o inimigo, e ainda de graça. Isso eu não aprendi em livro. Aprendi na rua, desde cedo.

O que eu fiz

Documentei tudo. Print, data, registro, prova. Desde o primeiro minuto.

No sábado de manhã, dei um toque no meu advogado.

Foi isso. Não avisei ninguém, não briguei, não anunciei nada. Falei com quem resolve.

É agir como águia: observa, plana e, quando desce, desce uma vez só, para caçar. É assim que eu faço quando preciso defender os meus interesses e os de quem está comigo.

A rede que já existia

Meu advogado deu risada. A primeira coisa que ele falou na ligação foi: Jonatas, fica tranquilo, isso é das coisas mais normais que acontecem, e a gente resolve como sempre resolveu.

Essa relação não foi construída em folha de pagamento. Foi construída muito antes de eu virar empreendedor.

Por isso eu não precisei correr atrás de ninguém no desespero. Irmandade, ou networking para os nutella, se constrói antes. Nunca no dia em que o calo aperta.

A reação do outro lado

Movemos algumas peças do tabuleiro. Isso é o que você precisa saber sobre mim.

Poucos dias depois começaram a chegar e-mails. Tom agressivo, quase ameaçador. Depois veio uma notificação extrajudicial, pelo advogado dele.

Eu estava na véspera de viajar com a minha esposa, no dia do meu aniversário. Koé, cara: a notificação chegou justamente no dia do meu aniversário, cinco da tarde.

Dei risada, respirei e encaminhei para o meu advogado, que respondeu formalmente. Formalmente.

Quando cheguei no destino da viagem, com a minha esposa, abri um áudio que ele tinha mandado. Dava para ouvir o nervosismo na voz. Guardo esse áudio até hoje.

Tom de voz entrega o tamanho da força ou da fraqueza de uma pessoa. Foi ali que eu entendi: o jogo já estava ganho antes dele pensar em copiar.

As peças que eu movi

Quais foram, poucas pessoas próximas sabem. E não vou contar aqui.

Sei que, se eu contar os detalhes, alguns vão me achar antiético. Tudo bem.

Mas eu te pergunto: quem escreveu as regras? Se não houve crime, se tudo aconteceu sob a ótica da lei, então foi jogada empresarial. Ou gangster, depende da tua sensibilidade.

O que fica

Ele copiou a tela. Copiar tela é fácil, qualquer um copia.

O que ele não copiou foi o resto: a decisão de produto, a distribuição, o ritmo de evolução. Código é metade do jogo, e cópia é metade da metade.

Quem copia está sempre atrás, porque só reage. E a cópia entrega exatamente o nível de trabalho daquela pessoa e do time dela.

Não é sobre ser agressivo. É sobre ser quem precisa ser, com quem merece.

Tem uma faixa que eu ouço desde muito antes disso tudo: "Who Do You Love?", do YG com o Drake. Vai até o último minuto e presta atenção na letra. Você vai entender uma coisa que vale para qualquer camada da sociedade: é preciso separar o real do fake, e o fake do real.

Pressão separa quem é de verdade de quem é fachada. Não é o que a pessoa fala. É o que ela faz quando aperta.

Sejam águia. Sejam letais, principalmente quando vocês não devem nada a ninguém.

Naquela sexta eu não falei nada. No sábado de manhã eu agi uma vez.

Uma coisa importante: essa foi a estratégia do meu caso, com o meu advogado. É a forma como eu trabalho para defender os meus interesses, mesmo sabendo que isso pode ter consequências sérias. Se acontecer com você, procura o teu advogado.

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